sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Passageiro Sem Destino (Jonas R. Sanches)

Sou passageiro estrangeiro universal
na nave mundo é o meu passeio ininterrupto
o meu roteiro é variado e setentrional

minha estação é uma aurora boreal.

Sou passageiro explorador dos sete céus
e miro o sol e as estrelas no horizonte
para fugir desse hemisfério conturbado
e reaver no amanhã o amor de ontem.

Sou passageiro viajante alucinado
pelos confins de nebulosas sou guiado
meus olhos velhos são de flores alienígenas
e minha alma herdou a força dos indígenas.

Sou passageiro nesse tresloucado tempo
roubando horas para as rosas germinarem
roubando a morte e saciando minha sede
nessa retórica poética em eterna viagem.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Los Desaparecidos (Galeano)


Los muertos sin tumbas,
Las tumbas sin nombre,
Las mujeres y los hombres que el terror tragó,
Los bebés que son o han sido botín de guerra.
Y también:
Los bosques nativos,
Las estrelas em la noche de las ciudades,
el aroma de las flores,
el sabor de las frutas,
las cartas escritas a mano,
los viejos cafés donde había tempo para perder  el tempo,
el fútbol de las calles,
el derecho a caminhar,
el derecho a respirar,
los empleos seguros,
las jubilaciones seguras,
las casas sin rejas,
las puertas sin cerradura,
el sentido comunitário
y el sentido común.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Meu nome é Amor (Kity Araújo)

Sou o extremo dos sentimentos
Às vezes faço parar o tempo
Par
a admirar as belezas do mundo
Dos momentos simples os faço raros
Vivo o intenso de cada momento
Procuro sentir com a pureza do coração
O que de belo minha alma enxerga
Traduzindo com um brilho no olhar
Toda essa magia de essência e alma
Nos dada de presente pelo Criador
Sou o extremo dos sentimentos
Um jardim suspenso com aroma de flor
Ah!! O meu nome: Meu nome é Amor.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Muere lentamente (Pablo Neruda)


Muere lentamente quien no viaja,

quien no lee, quien no escucha música,

quien no halla encanto en si mismo.

Muere lentamente quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente quien se transforma en esclavo del habito, repitiendo todos los días los mismos senderos,
quien no cambia de rutina,
no se arriesga a vestir un nuevo color
o no conversa con desconocidos.

Muere lentamente quien evita una pasión
Y su remolino de emociones,
Aquellas que rescatan el brillo en los ojos
y los corazones decaidos.

Muere lentamente quien no cambia de vida cuando está insatisfecho con su trabajo o su amor,
Quien no arriesga lo seguro por lo incierto
para ir detrás de un sueño,
quien no se permite al menos una vez en la vida 
huir de los consejos sensatos…


¡Vive hoy! - ¡Haz hoy!
¡Ariesga hoy!
¡No te dejes morir lentamente!
¡No te olvides de ser feliz!

Amor sem tréguas (António Gedeão)

É necessário amar,
qualquer coisa ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.

Não importa de quem,
não importa de quê;
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.

Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá o que for.

Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
que a sonhar se precise.

Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.

Amar como um homem forte
só ele o sabe e pode-o;
amar até à morte,
amar até ao ódio.

Que o ódio, infelizmente,
quando o clima é de horror,
é forma inteligente
de se morrer de amor.

Todo o tempo é de poesia (António Gedeão)

Todo o tempo é de poesia
Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia
Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas qu'a amar se consagram.
Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.
Todo o tempo é de poesia.
Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.

Certezas, precisam-se (António Gedeão)

Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos,
inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.

Preciso urgentemente de adquirir certezas,
certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos oiçam,
com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo.

Preciso urgentemente de ter razão,
de ter imensas razões, montes de razões,
de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa
e espadanar razões nas ventas da assistência.

Preciso urgentemente de ter convicções profundas,
argumentos decisivos,
ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente ao encontro de qualquer coisa,
de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas
em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis todos os que tiverem opiniões diferentes

da minha,
de os mandar, sem rebuço, para o diabo que os carregue,
de os prejudicar, sem remorsos, de todas as maneiras possíveis,
de lhes tapar a boca,
de lhes cortar as frases no meio,
de lhes virar as costas ostensivamente.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhacas,
que me dêem palmadinhas nas costas,
que me chamem pá e me façam brindes
em almoços de camaradagem.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café,
e resolver os problemas sociais
entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas,
e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar,
de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas!
Imensas certezas! Montes de certezas!
Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!